Histórico

O CIAAN é a instituição de ensino da Marinha do Brasil responsável em ministrar Cursos de Especialização, Subespecialização e Aperfeiçoamento em Aviação para Oficiais e Praças, bem como adestrar o pessoal para a operação dos meios aéreos da Marinha, a fim de capacitá-los para o desempenho das atividades relacionadas com as operações aeronavais a bordo.

Para falarmos da criação do Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval teremos que fazer um breve histórico do surgimento da Aviação Naval, já que este Centro de Instrução foi uma organização militar extremamente importante na reestruturação da Aviação Naval na Marinha do Brasil.

A aviação Naval surgiu em 23 de agosto de 1916, pelo Decreto Nº 12.167, com a criação da Escola de Aviação da Marinha, Decreto esse assinado pelo Presidente Wenceslau Braz.

Foi designado para Diretor da Escola o Capitão-de-Corveta Protógenes Pereira Guimarães, que recebeu apoio do Ministro da Marinha para o desenvolvimento da nova arma. Para Vice-Diretor foi designado o Capitão-de-Corveta Américo José Cardoso.

Muito embora, sem um planejamento eficiente, a Escola foi instalada inicialmente nas carreiras do antigo Arsenal de Marinha, passando depois para a Ilha das Enxadas, hoje CIAW, e posteriormente para a Ponta do Galeão, na Ilha do Governador (atualmente terminal de cargas do Aeroporto Internacional do Galeão).

Iniciou suas atividades com apenas três hidroaviões “CURTISS”, de matrículas C1-, C-2 e C-3.

O primeiro foi montado em agosto de 1916, e os outros dois, em outubro do mesmo ano, tendo sido mandados incorporar a Esquadra por ato de 03 de novembro de 1916, do Ministro da Marinha.

Para condução do pessoal e o serviço de socorro, a Escola possuía o Rebocador “Dezenove de Fevereiro” e uma lancha a gasolina.

O Sr. Orthon Hoover, que fora contratado, ministrava regularmente a instrução nos dias úteis sempre que havia condições de tempo, os alunos voavam durante vinte minutos.

Em 24 de outubro de 1916, brevetou-se a Primeira Turma, constituída pelos seguintes oficiais:



A Escola de Aviação Naval começava, pois alcançando vitórias, não apenas pela formatura da primeira turma, mas também pelo sucesso em suas atividades aéreas; em 12 de outubro de 1916, realiza seu primeiro “reide” aéreo, quando o Comandante Protógenes e o instrutor Sr. Hoover, este pilotando o hidro C-2, voam até as antigas instalações da Escola Naval, na enseada Batista das Neves, em Angra dos Reis.

Em 19 de novembro de 1916, os três aerobotes C-1, C-2 e C-3, sobrevoam o palanque das autoridades, no monumento a Barroso, na praia do flamengo, onde se realizava rasantes, em companhia da senhorita Violeta Odete.

No dia 29 de novembro do mesmo ano, o Tenente Delamare faz dois vôos com o C-2, levando o jornalista Oscar Ramos e o fotógrafo Jorge Kfuri, ambos do Jornal “A NOITE” , para reportagem aérea sobre a Baía de Guanabara, numa repetição do que já haviam feito Ricardo Kirk e Ernesto Darioli, em 1914.

Em 24 de dezembro de 1916, o Tenente Bandeira bate o recorde de permanência no ar com hidroplano no Brasil, voando durante três horas seguidas sem pousar, pilotando o C-3 sobre a cidade.

Em 1941 através do Decreto Presidencial do então, presidente Getúlio Vargas é criado o Ministério da Aeronáutica transferindo todas as atividades aéreas para o novo Ministério. Entretanto a 2ª Guerra Mundial enfatizou a necessidade de um poder aeronaval intimamente vinculado à Esquadra, capaz de executar e auxiliar, no mar, as operações táticas navais. Por força das necessidades específicas da arte da Guerra Naval, em 1952 reativou-se as operações aéreas da Marinha do Brasil.

Com o surgimento da Nova Aviação Naval na década de 50, seria necessário, criar um curso para a formação de Aviadores Navais, para que pilotassem as aeronaves que seriam adquiridas para a Nova Aviação Naval. Assim sendo, a Marinha criou o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval, que iria formar nossos aviadores e também o pessoal subalterno para efetuar a manutenção das aeronaves.

Foi através do Aviso Nº 3327 de 03 de dezembro de 1954, que se criou a Especialidade de Observador Aéreo Naval (OAN), que teria suas instruções aprovadas pelo Aviso Nº 1720 de 27 de junho de 1955.

A 1º de março de 1956, foi iniciado o primeiro curso de OAN, cujas aulas teóricas foram ministradas na Diretoria de Aeronáutica da Marinha, na Rua do Acre Nº 21, enquanto era preparado o CIAAN, no Km. 11 da Av. Brasil, após a conclusão da parte teórica, os oficiais alunos foram matriculados no Aeroclube do Brasil, onde iniciaram a instrução primária de pilotagem, que lhes daria a familiarização com meios aéreos, confiança que lhes seria indispensável para o desempenho das funções da Especialidade.

Em janeiro de 1957, o CIAAN, era instalado no Km. 11 da Av. Brasil, já em fevereiro do mesmo ano, iniciava-se o primeiro curso regular de OAN nas novas instalações.

Em 1961, por determinação do Presidente da República de suspender os vôos de instrução nas proximidades do Galeão, o CIAAN foi obrigado a transferir-se para a cidade de São Pedro da Aldeia – RJ, onde estava sendo construída a Base Aérea e Naval e suas futuras instalações. Continuava a formação de novos pilotos de helicópteros, o que foi uma fase dura de se atravessar, tendo em vista a falta de instalações adequadas e conforto que ainda apresentava aquele local.

Funcionando com um número de oficiais e praças com dedicação exclusiva, conta hoje o CIAAN, mercê de política instituída pela Força Aeronaval, com a participação na instrução, de representantes de todas as OM da área de São Pedro da Aldeia, assegurando-se assim economia de recursos humanos, como também a permanente atualização dos ensinamentos transmitidos. Hoje o CIAAN conta com o que há de mais moderno em termos de acessórios de ensino, destacando-se os Simuladores de Asa Fixa e Rotativa, a UTEPAS, os Laboratórios de Aviônica e Línguas, Treinador LINX e tantos outros, que tornam o CIAAN ponto de referência para a Marinha do Brasil e do Mundo.

Missão

O CIAAN - Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval é uma instituição de ensino da Marinha que tem a missão de ministrar cursos de Especialização, Subespecialização e Aperfeiçoamento de Aviação para Oficiais e Praças, bem como adestrar o pessoal para a operação dos meios aéreos da Marinha, a fim de capacitá-los para o desempenho das atividades relacionadas com as operações aeronavais a bordo e em terra.