A Tarde Online
Dilma critica indiretamente política de antecessores
Tânia Monteiro e Ricardo Brito
Repetindo uma técnica usada com frequência pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff elogiou a atuação do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, paraninfo dos formandos do Itamaraty, e do atual chanceler, Antonio Patriota, e criticou, nas entrelinhas, a política externa dos governos anteriores. "Que nunca mais se repita no Brasil a impossibilidade de se fazer uma política externa independente, num Brasil democrático, com justiça social", afirmou a presidente no discurso de formatura do Instituto Rio Branco (2011-2013), em solenidade no Palácio do Itamaraty.
Dilma lembrou o discurso de posse de Amorim, em 2003, no qual ele disse que a política externa brasileira teria de ser voltada para o desenvolvimento e a paz mundial. "Esta citação mostra, fundamentalmente, como é importante a herança que nós temos a reivindicar. Ela alimenta a política externa do meu governo", discursou Dilma, citando o ministro Patriota como atual executor desta política.
"Neste caminho que vocês trilharão, vocês serão Celso Amorins e Patriotas do futuro e serão responsáveis nos próximos 20, 30, 40 anos, pela política externa brasileira", observou. E emendou: "Sem arrogância, mas com segurança e firmeza, poderão dizer que representam um país que se encontrou consigo mesmo e recuperou sua autoestima e que está pronto a dar sua colaboração decisiva para o mundo de paz, de desenvolvimento, de justiça social, um mundo que tenha de se afastar das guerras e escolher o diálogo e a cooperação como métodos de política externa".
Projeção internacional
Dilma Rousseff afirmou que o Brasil ganhou "enorme projeção internacional" em pouco mais de uma década e mencionou a participação do País no G-20 e a presença de brasileiros em postos de destaque na política internacional, como José Graziano para a direção da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Roberto Azevedo para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Paulo Vannuchi para compor a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
A presidente disse ainda que a retomada da inclusão social e do crescimento econômico serviu para reduzir a "nossa vulnerabilidade externa". Dilma aproveitou seu discurso para comemorar as atuais reservas do Brasil, que são da ordem de US$ 370 bilhões, e ironizar o fato de o País, antes devedor, agora ser credor, de quantia semelhante a que recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI). "De país endividado, nos transformamos em credores internacionais, pois emprestamos mais recentemente para o FMI recursos bastante significativos. Ironicamente, recursos muito similares aos que, no passado, o FMI nos emprestou", afirmou a presidente no discurso.
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Band News
Marinha apresenta novo navio
O Apa compõe a frota de navios usados para patrulha marítima
O navio Apa incorpora hoje a frota da marinha
A marinha brasileira tem mais um navio na frota para auxiliar na patrulha marítima. O Apa tem 90,5 metros de comprimentos e capacidade para 120 militares.
Na manhã de hoje, a marinha fará com o Apa uma simulação de abordagem a um navio suspeito nas águas da Baía de Guanabara. Durante a visita também serão discutidos os detalhes sobre a atuação da marinha na segurança de grandes eventos.
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Correio Braziliense
Militares podem enfrentar greve
Os conflitos entre manifestantes e as forças de segurança na turquia entram na terceira semana sob a ameaça do governo de convocar o Exército para "levar calma de volta às ruas" do país. Duas grandes centrais convocaram ontem uma greve geral, organizaram passeatas e convocaram mais de 800 mil trabalhadores para as ruas. Na capital, Ancara, centenas de manifestantes atenderam o chamado e houve pequenos confrontos com a tropa de choque. Em Istambul, epicentro das manifestações contra o governo do primeiro-ministro Receo Tayyp Erdogan, policiais mantiveram a presença no centro da cidade para impedir a reocupação da Praça Taksim, de onde os manifestantes foram removidos no fim de semana.
Em entrevista a um canal estatal de televisão, o vice-premiê Bülent Arinç informou que o governo fará o que for necessário para acabar com as demonstrações. "Nossas forças de segurança estão fazendo seu trabalho. Se não for o suficiente, a polícia militar fará o trabalho dela. Se isso ainda não bastar, poderemos até usar elementos das Forças Armadas", advertiu. O ministro do Interior, Muammer Güler, condenou as greves convocadas no país e avisou que as autoridades não permitirão aquilo que chamou de "tentativas de levar pessoas às ruas para ações ilegais".
No fim da noite, centenas de pessoas protestaram silenciosamente e em pé, em Taksim. Inspirados por um homem que, sozinho, parou na praça, de frente para a imagem de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República laica na turquia, manifestantes chegaram aos poucos e evitaram se mover. O protesto pacífico foi uma resposta ao governo, que classificou a campanha de manifestações como "vandalismo" e "violência antissocial".
Uma pesquisa divulgada pela empresa turca MetroPoll mostrou que 50% dos entrevistados acreditam que o governo está se tornando mais autoritário, enquanto 36% entendem que a conduta de Erdogan está "mais democrática". A sondagem, realizada entre os dias 3 e 12 deste mês, também constatou que 60% dos turcos apoiam a preservação do Parque Gezi — o estopim das manifestações populares foi um projeto de reurbanização prevendo a construção de uma mesquita e um shopping center no lugar de uma área verde.
No domingo, simpatizantes do premiê e de seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) fizeram uma grande manifestação no centro de Istambul, na qual Erdogan discursou por mais de duas horas para cerca de 100 mil pessoas. "Não deixaremos a praça com terroristas", insistiu o chefe de governo, que ameaça dia após dia sobre o esgotamento da "paciência" com os protestos, considerados por ele antidemocráticos. A violência se intensificou no fim de semana, quando cerca de 600 manifestantes foram presos apenas em Istambul e Ancara. Nos 18 dias de protestos, mais de 5 mil ficaram feridos.
Obama e Putin discutem a Síria
Durante um encontro bilateral à margem da reunião de cúpula do G8, na Irlanda do Norte, os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin fracassaram em encontrar um discurso conjunto para Estados Unidos e Rússia sobre a Síria, tema de uma conferência internacional prevista para o mês que vem. "Obviamente, temos opiniões divergentes, mas ambos temos a intenção de pôr fim à violência", defendeu Putin. Na chegada a Belfast, Putin já tinha reafirmado seu veto à imposição de uma zona de exclusão aérea.
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Diário do Nordeste
Câmara pode votar nesta semana destinação de recursos dos royalties para a educação
A Câmara pode votar nesta semana o projeto de lei que destina os recursos dos royalties do petróleo para a educação. De autoria do Executivo, a proposta, que tramita em regime de urgência constitucional, está trancando a pauta de votações ordinárias da Casa. Com isso, nenhuma outra matéria poderá ser votada antes do projeto nas sessões ordinárias da Câmara.
Pelo texto, todos os recursos dos royalties e da participação especial referentes aos contratos firmados a partir de 3 de dezembro do ano passado, sob os regimes de concessão e de partilha de produção de petróleo, destinam-se exclusivamente à educação. O relator da proposta em plenário será o deputado André Figueiredo (PDT-CE). Ele é o relator na comissão especial criada para analisar o projeto.
Também consta da pauta, em sessões extraordinárias, a votação das propostas de emenda à Constituição (PECs) que concede o prazo de 360 dias para que o Supremo Tribunal Federal (STF) apresente ao Congresso projeto de lei sobre o Estatuto do Servidor do Judiciário e que torna titulares os substitutos ou responsáveis por cartórios de notas ou de registro – a chamada PEC dos Cartórios.
Outros projetos de lei poderão ser colocados em votação, desde que o plenário vote o projeto que destina recursos dos royalties para educação. Entre eles estão o que cria a indenização para policiais federais e rodoviários federais e auditores da Receita Federal em exercício em localidades fronteiriças estratégicas, o que tipifica os crimes contra a humanidade, de genocídio e de guerra para fazer valer a participação do Brasil no Tribunal Penal Internacional (TPI) e o que flexibiliza a retransmissão do programa A Voz do Brasil.
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Minist. do Meio Ambiente
Um parque para Alcatrazes
MMA defende criação de parque nacional localizado no litoral paulista, que está em discussão na Câmara.
Luciene de Assis
A criação do Parque Nacional Marinho do Arquipélago de Alcatrazes, localizado no litoral norte do estado de São Paulo, está em debate na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. O conjunto de nove ilhas que formam o arquipélago, localizado a 45 quilômetros do Porto de São Sebastião, é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e protegido pela Estação Ecológica Tupinambás, Unidade de Conservação (UC) federal de proteção integral.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defende o parque pela importância estratégica e geográfica do arquipélago, lugar de belezas exuberantes e de grande importância ambiental para as diversas espécies que lá vivem. Trata-se de uma área de grande importância ambiental para diversas espécies que lá vivem, sob a proteção da Marinha do Brasil. As ações de proteção, preservação e recuperação, incluindo educação ambiental e pesquisas científicas, são desenvolvidas em conjunto entre o MMA, o ICMBio e a Marinha.
Explosão de vida
De acordo com a chefe da Estação Ecológica Tupinambás do ICMBio, Kellen Leite, que participou da última audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, a área é de uso sustentável e serve de amortecimento para atividades de impacto antrópico (causadas pelo homem). Disse, ainda, que as ilhas não são importantes somente para as espécies locais de biomassa marinha, mas para vários pontos do litoral paulista, pois a pesca nessa região é restrita devido à proteção legal ambiental.
O Arquipélago de Alcatrazes é formado pela ilha principal e de maior formação, a Ilha dos Alcatrazes, além das ilhas da Sapata, do Paredão, do Porto (ou do Farol), do Sul e de outras quatro ilhotas não nominadas. Uma delas, a ilha da Sapata, ainda é utilizada para treinamentos de tiro da esquadra de guerra do Brasil. Especialistas do ICMBio já realizaram estudo sobre as atividades de tiro ali realizadas e garantem que o local é o menos impactado, em termos ambientais. Segundo Kellen Leite, a ilha é monitorada constantemente e objeto de ações de mitigação ambiental, que visam harmonizar os interesses ambientais com os de soberania nacional.
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Ministério da Defesa
Congresso Acadêmico sobre Defesa abre inscrições
Foram abertas, na última sexta-feira (14), as inscrições para o X Congresso Acadêmico Sobre Defesa Nacional. O evento será realizado entre os dias 2 e 7 de setembro na Escola Naval, no Rio de Janeiro (RJ).
Promovido anualmente pelo Ministério da Defesa (MD), o congresso visa promover a interação entre escolas militares e Instituições de Ensino Superior (IES) civis de todo o país, despertando interesse por temas relacionados à segurança e à defesa.
Ao todo, são oferecidas 160 vagas para instituições civis e militares, que podem participar encaminhando um artigo científico sobre temas como: O Brasil em face das principais questões de Segurança Internacional; A importância do Poder Militar para a inserção internacional do Brasil; e O Direito Internacional e os conflitos armados do século XXI, entre outros.
Especialistas indicados pelo MD vão coordenar as exposições feitas por acadêmicos. A previsão é que as apresentações aconteçam na primeira parte de cada dia do evento, para que os temas abordados sejam debatidos pelos participantes no período da tarde. Além disso, serão realizadas demonstrações militares e atividades sociodesportivas.
À noite, os congressistas vão participar de atividades socioculturais e de integração dos participantes.
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O Globo
UM PAÍS QUE SE MEXE
Multidões em marcha
Pelo menos 240 mil pessoas foram às ruas em 11 capitais, e mais uma vez houve confrontos
Chico Otavio
Os manifestantes tomam o teto do Congresso Nacional, depois de tomar banho no espelho d'água e de tentar invadir o Parlamento. Segundo a PM, 5 mil pessoas participaram do protesto. Os manifestantes falaram em 15 mil pessoas. Eles gritavam palavras de ordem como "Vamos invadir o Congresso! O Congresso é nosso!"
Na maior mobilização contra o aumento das passagens de ônibus, cerca de 240 mil manifestantes ocuparam ontem as ruas de 11 capitais brasileiras. No dia em que a polícia paulista assistiu sem interferir à marcha de 65 mil manifestantes, mantendo a Tropa de Choque aquartelada, a ação de grupos isolados impediu que a onda de protestos terminasse sem violência. Pelo menos quatro cidades tiveram confrontos. No mais grave, vândalos lançaram coquetéis molotov contra a Assembleia Legislativa do Rio, incendiaram um carro e destruíram uma agência bancária, numa ação que deixou 23 feridos, 20 deles policiais.
Os manifestantes, contudo, iniciaram as marchas pelo país dispostos a protestar em paz. Em alguns casos, agiram para conter os mais exaltados. Em São Paulo, desta vez, não houve disparos de balas de borracha e as bombas de gás lacrimogêneo da polícia. O governo do estado cumpriu a promessa de não reagir. À noite, um grupo tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado.
Armas de baixa letalidade foram usadas em Belo Horizonte, onde houve confronto com a PM nas imediações do Estádio do Mineirão. Em Brasília, os manifestantes invadiram, em dois momentos, o teto do Congresso Nacional aos gritos de "a-ha, u-hu, o Congresso é nosso".
Sem a predominância de bandeiras de partidos políticos, sindicatos ou entidades estudantis, os protestos lembraram as grandes mobilizações sociais do passado, como os comícios pelas Diretas Já (1984) e o movimento dos caras-pintadas (1992). A diferença foi a força demonstrada pelas mídias sociais, decisivas não apenas para a mobilização como para o registro de cada detalhe das manifestações em tempo real, e a diversidade de palavras de ordem.
Além do clamor contra o reajuste das tarifas de ônibus, foram ouvidos gritos contra os gastos públicos com a Copa do Mundo e contra a PEC 37, projeto que busca tirar dos Ministérios Públicos o poder de investigação.
Também houve mobilizações em Porto Alegre, Curitiba, Vitória, Salvador, Maceió, Fortaleza e Belém. O número total de presentes foi estimado com base em cálculos dos organizadores, das polícias e de institutos de pesquisa. Preocupadas com a repercussão dos conflitos em São Paulo na quinta-feira passada, que terminaram com cem feridos e 237 detidos, as polícias procuraram evitar o uso de armas de baixa letalidade, mesmo quando provocadas pelos manifestantes.
A PM paulista acompanhou à distância, com um efetivo visivelmente menor do que o da manifestação anterior, o quinto protesto contra o preço das tarifas. Policiais chegaram a pedir licença para passar, sorrindo, e chegaram a se sentar no chão a pedido dos manifestantes. A marcha começou no Largo da Batata, em Pinheiros, próximo à Avenida Faria Lima, e depois seguiu pela Faria Lima e pela Marginal Pinheiros, para mais tarde passar pela Ponte Estaiada, Brooklin, em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, onde ainda estavam concentrados por volta das 22h.
- O comportamento da polícia foi muito diferente. Quando não há repressão a gente consegue fazer um ato muito mais organizado, sem violência - declarou Matheus Preis, de 19 anos, um dos líderes do Movimento Passe Livre.
Mas houve cenas de violência em quatro cidades, com uso de bombas de efeito moral, balas de borracha e cassetetes. Em Porto Alegre, a Tropa de Choque da Brigada Militar entrou em confronto com manifestantes, depois que eles colocaram fogo em latas de lixo, atiraram pedras e depredaram um ônibus e prédios públicos. Os militares usaram bombas de gás para dispersá-los. Em Alagoas, um motorista atirou no rosto de um estudante quando tentava furar o bloqueio montado pelos manifestantes na Avenida Fernandes Lima, no Bairro do Farol.
A PM mineira, para impedir que a marcha se aproximasse do Mineirão, estádio onde jogaram Nigéria e Haiti pela Copa das Confederações, atirou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes. Na fuga, um jovem de 18 anos caiu do viaduto da Avenida Presidente Antônio Carlos. Levado para o Hospital Risoleta Neves, o jovem apresentava no fim da tarde um quadro estável.
Também terminou tenso o protesto no Rio. Por volta das 20h, um pequeno grupo tentou ocupar a escadaria da Assembleia Legislativa e foi rechaçado pela polícia com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os conflitos aconteceram na Rua Primeiro de Março, em frente à Alerj e na travessa ao lado do Paço Imperial, prédio histórico pichado por vândalos. Alguns manifestantes atiraram coquetéis molotov em direção aos policiais e atearam fogo em um carro. Outra marca do vandalismo foi deixada numa agência bancária próxima, cuja entrada de vidro foi destruída a golpes de barras de ferro.
Em Brasília, a polícia não conseguiu impedir que os estudantes, por volta das 19h20m, subissem no teto do Congresso, pelo lado esquerdo, sob as cúpulas. Após cerca de 30 minutos, a rampa foi liberada para que os manifestantes descessem. Muitos ainda permaneceram na cobertura. Eles estenderam uma faixa pedindo "não à violência" e gritaram:
- Vamos invadir o Congresso! O Congresso é nosso!
Dilma diz que atos são legítimos
Na entrada principal, um cordão da PM tentava conter os jovens que desciam e queriam entrar no Congresso. No Salão Negro, móveis próximos aos vidros foram retirados por precaução.
- Se houver uma invasão, as pessoas podem se machucar - disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE).
A presidente Dilma Rousseff, ao falar sobre as marchas, disse que considerada "legítimas e próprias da democracia" as manifestações pacíficas.
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O Globo
Presidente eleito do Irã propõe transparência nuclear
Hassan Rowhani defende moderação e reaproximação com países do Ocidente
A primeira entrevista coletiva do presidente eleito do Irã, Hassan Rowhani, quebrou paradigmas durante 90 minutos. Figuras até então consideradas hostis pelo establishment iraniano, como jornalistas americanos e da rede britânica BBC, tiveram a chance de fazer perguntas. O nome de dissidentes, como o aprisionado Mir-Hossein Mousavi, foi tolerado ao ser mencionado publicamente. E em vez de um discurso inflamado anti-Ocidente, promessas de reaproximação e transparência nuclear.
- Nós temos que melhorar a confiança mútua entre o Irã e outros países - afirmou o presidente eleito, que já ganhou na mídia local os apelidos de "xeque diplomata" e "xeque da esperança". - Temos que construir confiança.
SEM ABRIR MÃO DE URÂNIO ENRIQUECIDO
Rowhani, de 64 anos, um clérigo centrista com PhD em Direito pela Universidade Caledônia de Glasgow, na Escócia, se mostrou disposto a se aproximar até do maior desafeto iraniano, os Estados Unidos - embora tenha descartado negociações diretas com Washington.
- A questão das relações entre o Irã e a América é um ponto difícil e complicado. É uma velha ferida que precisa ser curada - disse Rowhani. - Primeiro, os americanos têm que dizer que nunca vão interferir nas questões internas do Irã. Segundo, têm que reconhecer todos os direitos da nação iraniana, incluindo os nucleares. Terceiro, têm que deixar de lado as políticas opressivas para com o Irã.
O novo discurso moderado em Teerã, porém, tem limites. Num país onde as decisões estão subjugadas aos aiatolás - e ao líder supremo, Ali Khamanei - Rowhani demonstrou habilidade diplomática e pragmatismo. Defendeu uma chance de diálogo com os EUA, mas com a condição de os americanos ficarem longe dos assuntos internos do país. Ofereceu transparência nuclear, mas sem suspender o enriquecimento de urânio a 20%, fator de preocupação no Ocidente, uma vez que é essa a concentração necessária para a produção de uma bomba atômica.
- O primeiro passo vai ser mostrar mais transparência. Estamos prontos para demonstrá-la, e deixar claro que as ações da República Islâmica do Irã estão totalmente dentro dos padrões internacionais.
Rowhani descartou alusões ao acordo nuclear que ele mesmo mediou com a França, em 2005, quando o Irã aceitou a suspensão do enriquecimento de urânio - àquela época a 3.5%.
- Aquele tempo passou. Estamos numa situação diferente. Há muitas outras maneiras de se construir confiança - assegurou o ex-negociador nuclear que é, ainda, um velho aliado do aiatolá Khamenei.
MANIFESTANTE PEDE POR MOUSAVI
O novo presidente toma posse no próximo dia 3 de agosto. No fim da entrevista, foi interpelado por um homem, na plateia, que gritou:
- Rowhani, lembre que Mir-Hossein Mousavi deve estar (presente) - referindo-se ao líder do reformista Movimento Verde, preso desde 2011.
Rowhani não respondeu ao manifestante anônimo. Apenas sorriu antes de se retirar.
Enquanto crescem as dúvidas sobre uma eventual abertura no novo governo iraniano, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukia Amano, recordou que, apesar de todas as sanções internacionais, o Irã fez "considerável progresso" nuclear.
Em Washington, a porta-voz do Departamento de Estado Jen Psaki afirmou que os EUA estão abertos a novas negociações com Teerã. Mas descartou novas ofertas. Segundo ela, os iranianos ainda precisam responder à última proposta, feita em abril passado.
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O Globo
Putin e Obama mal se olham ao divergirem sobre a Síria
Assad ameaça e diz que Europa vai pagar preço alto se armar rebeldes
O presidente russo, Vladimir Putin, olhava para o chão. O presidente americano, Barack Obama, por sua vez, raramente encarava o interlocutor. Após um encontro que se prolongou por mais de duas horas, os dois concordaram apenas num ponto: em pressionar pela realização de uma conferência de paz em Genebra que reúna representantes da oposição e do regime de Bashar al-Assad. Eles tentavam discutir maneiras de acabar com a guerra civil na Síria e a decisão americana de prover armamentos aos rebeldes. Mas limitaram-se a instruir suas equipes a pressionar pelo diálogo.
O encontro de Putin e Obama dominou ontem o primeiro dia de reunião do G-8 na Irlanda do Norte. Jornalistas relataram um clima tenso e contaram que os dois líderes mal olhavam um para o outro.
- Nossas posições não coincidem totalmente, mas estamos unidos pela intenção comum de acabar com a violência crescente na Síria, de resolver as coisas de forma pacífica, incluindo as conversas de Genebra - declarou Putin, que, na véspera, chamara a oposição síria de "canibais que comem as tripas diante das câmeras".
'como os bons e os maus talibãs'
Na semana passada, os EUA acusaram o regime sírio de usar armas químicas. E Obama fora duramente criticado pelos russos ao decidir armar os rebeldes. Ele até tentou brincar ao fim do encontro, o primeiro entre ele e Putin em um ano. Fez alusões ao judô, esporte do qual Putin é fã e faixa preta, sem sucesso. E emendou:
-Temos perspectivas diferentes sobre o problema, mas temos interesse em reduzir a violência, resguardar as armas químicas e garantir que não sejam nunca usadas.
Obama também anunciou mais US$ 300 milhões em ajuda humanitária aos 1,6 milhão de refugiados sírios
A polarização em torno da guerra síria isolou Putin. E atraiu o premier britânico, David Cameron, e o presidente francês, François Hollande - responsáveis pela pressão que derrubou um embargo europeu de armas à Síria no mês passado. Ambos condenaram o apoio russo a Assad.
- Como podemos permitir que a Rússia continue entregando armas ao regime de Bashar al-Assad quando a oposição recebe pouco e está sendo massacrada? - alfinetou Hollande.
A resposta veio rápida. Em Damasco, o presidente sírio recebeu um repórter do diário alemão "Frankfurter Allgemeine" e disse que a Europa vai "pagar um preço alto" se decidir armar os rebeldes.
- Se os europeus enviarem armas, o quintal da Europa vai virar um lugar de terroristas. Os terroristas vão voltar para a Europa com experiência de combate e ideologias extremistas - declarou Assad na entrevista, a ser publicada hoje.
O presidente sírio também ironizou as tentativas europeias de distinguir quem é quem entre os rebeldes:
- É como a diferenciação entre o bom e o mau talibã uns anos atrás, ou como o bom e mau membro da al-Qaeda.
O impasse diplomático acerca da Síria ganhou ontem outro agravante: os rumores de que a Arábia Saudita já estaria fornecendo aos rebeldes mísseis antitanque e terra-ar portáteis, há dois meses.
Em Aleppo, ativistas denunciaram ontem uma nova tentativa do Exército sírio de retomar os acessos à cidade. Além de pesados combates, um carro-bomba explodiu em al-Douwairinah, nos arredores de Aleppo. Ao menos 60 militares governistas teriam morrido no atentado.
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O Jornal da Ilha-AM
Triatlo promovido pela MB e PMP foi um sucesso
CT Manoel Ribeiro faz a entrega da premiação
Parintins (AM) - A promoção esportiva do triatlo em comemoração ao aniversário da Batalha Naval do Riachuelo realizada pela Prefeitura de Municipal, por meio da Secretaria de Assistência Social e a Marinha do Brasil, foi um sucesso.
Durante a programação aconteceu o atendimento grátis de embelezamento e saúde. O evento teve a finalidade de arrecadar alimentos não perecíveis para atender as famílias atingidas pela cheia deste ano.
"A população participou do evento. Parabenizamos a Marinha do Brasil pela iniciativa, e estamos prontos para somar em sempre em atividades que beneficiem a população parintinense", disse Vanessa.
A programação iniciou às 8h e se estendeu até as 12h. A competição começou com a natação na Lagoa da Francesa, seguido pela etapa de ciclismo na Avenida Amazonas e depois a corrida pedestre percorrendo a Avenida Amazonas, ruas Rio Branco, Rui Barbosa com chegada no Porto de Parintins.
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Valor Econômico
Porto público deve elevar investimento
Rodrigo Pedroso e Fernanda Pires
O novo marco regulatório dos portos fará com que os portos públicos tenham que aumentar os investimentos além dos já previstos para "atender" o crescimento da demanda até que os terminais privados entrem em operação. A avaliação é de Mauro Salgado, presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop).
No cenário atual de investimentos previstos, o crescimento da oferta vai atender à expectativa de demanda até 2018. Após isso, ainda não existem planos prontos para aumento da capacidade dos portos públicos no país. Pela projeção de Salgado, os novos terminais privados, produto da nova lei, devem começar a entrar em operação em 2021. Salgado disse que para cada 1% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a demanda por contêineres aumenta 3,6%.
O governo deverá publicar em breve o decreto regulamentando a nova Lei dos Portos, mas não há data definida, disse o superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Bruno Pinheiro.
A regulamentação especificará a autorização para terminais privados - 63 já solicitados - e para arrendamentos portuários em áreas públicas. O decreto é fundamental para detalhar o prazo dos arrendamentos. O veto presidencial a um dos artigos da nova lei deixou o marco regulatório sem definição sobre a duração das futuras concessões e arrendamentos. Além disso, o texto não detalha os procedimentos a serem adotados para as empresas que quiserem participar das novas licitações.
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Valor Econômico
Estudo vê lacuna em pesquisas sobre o mar
Um estudo realizado em dez países da América Latina mostra que o apoio dos governos para a análise do impacto da mudança do clima sobre o mar e as zonas costeiras é fragmentado e pouco volumoso. Os 26 pesquisadores envolvidos na iniciativa dizem que não têm como responder a questões cruciais sobre como está a vulnerabilidade dos ecossistemas à mudança do clima, quais as medidas de adaptação que deveriam ser adotadas e até a previsão de perda de recursos marinhos no futuro.
"Temos uma grande lacuna no conhecimento do ambiente marinho na América Latina e Central", diz Alexander Turra, professor-pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e um dos coordenadores do estudo publicado na revista "Global Change Biology". "Os estudos são muito incipientes para esse tipo de ambiente. Para o produtor de cana e café está ótimo", compara. "Precisamos de uma política de suporte à ciência. Não pode ser de governo, tem que ser de Estado."
Turra diz que a governança no impacto da mudança do clima no mar tem que ser baseada em informação. "Temos que fazer uma base de conhecimento para que o governo possa tomar decisões. É fundamental conhecer a sensibilidade desse ambiente a essas mudanças." Isso significa estudar um espectro de vertentes que vão desde a redução no estoque de peixes até as áreas na costa que não devem ser ocupadas diante da previsão de elevação do nível do mar.
O Instituto Oceanográfico irá sediar um seminário dias 27 e 28 de junho, junto com o Ministério do Meio Ambiente, para promover o debate da gestão costeira no Brasil. O Plano Nacional do Gerenciamento Costeiro faz 25 anos é a ideia do evento é promover um balanço do plano e diagnosticar o que precisa ser aprimorado. Será debatido o uso compartilhado dos oceanos, com atividades que vão da pesca à exploração do petróleo, até turismo e geração de energia por ondas.
"É importante ter uma política de planejamento de uso espacial dos oceanos de forma adequada, para que o conflito seja menor", diz Turra, que coordena a ReBentos, rede de monitoramento de organismos que vivem nos substratos marinhos costeiros e que reúne 127 cientistas de 40 instituições no Brasil.
Sobre a exploração de petróleo e a preservação ambiental, Turra defende que "essa discussão seja muito ampliada", uma vez que o Brasil se comprometeu internacionalmente a ter 10% da área marítima protegida até 2020, nas chamadas Metas de Aichi da Convenção da Biodiversidade.
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Valor Econômico
Setor defende mais terminais de contêineres
Fernanda Pires
O Brasil precisará de mais capacidade em terminais portuários de contêineres para atender a escalada de conteinerização de cargas, assim chamada a migração para esse modelo de carga, antes embarcada no porão do navio. Santos, porto que representa 37% da movimentação brasileira de contêineres, reflete bem a situação. Nos últimos dez anos, a cada um ponto percentual de alta do PIB, o volume de contêineres cresceu 3,6 vezes.
Hoje, o porto tem uma capacidade de 2,9 milhões de Teus (contêineres de 20 pés) por ano, devendo chegar a 6 milhões de Teus com a entrada completa em operação dos novos terminais, Embraport e BTP, até 2014. "Em 2017 não vai ter mais sobra de capacidade", disse Mauro Salgado, presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop). Ele defende, por isso, a antecipação da prorrogação dos contratos atuais de arrendamentos que ainda possam usufruir uma nova etapa. É o caso do Tecon Santos, da Santos Brasil, empresa da qual é diretor comercial.
O superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Bruno Pinheiro, disse concordar com a possibilidade, prevista na nova lei. A Secretaria de Portos (SEP) diz que se for de interesse público, concordará em renovar antecipadamente. A Santos Brasil tem R$ 730 milhões para expandir o terminal antecipadamente. O contrato vence em nove anos.
A demanda no Brasil é de 8 milhões de Teus - realizados em 2012. Para 2021, a estimativa é de quase 15 milhões de Teus. Salgado destacou a necessidade de se investir em terminais arrendados nos portos públicos para expandir a oferta, pois a alternativa (os terminais privados) levará mais tempo. Esses terminais têm de ser construídos do zero. "Um terminal privado leva no mínimo sete anos para começar a operar".
Ao defender investimentos no porto público, os operadores destacaram números do próprio governo. Segundo o Plano Nacional de Logística Portuária (PNLP), estudo contratado pela SEP, 60% dos problemas do sistema portuário estão fora do porto. O consultor da Soluções Portuárias Aplicadas (SPA), Sérgio Aquino, aponta que no último ranking do Banco Mundial sobre logística, a razão da queda do Brasil da 41ª posição, em 2010, para a 45ª, em 2012, foi externa à operação portuária. "São problemas de serviços públicos, como de aduana".
A iniciativa privada disse temer os efeitos da recentralização do processo decisório portuário em Brasília. A nova Lei dos Portos esvaziou a competência das companhias docas, estatais vinculadas à União, retirando delas os processos licitatórios e a aplicação de recursos. Na prática, também extinguiu os conselhos de autoridade portuária (CAPs), localizados nos portos e que ajudavam na administração. Na nova lei, o CAP deixou de ser deliberativo e passou a ser consultivo.
"O próprio Plano Nacional de Logística Portuária, assim como um estudo do BNDES, recomendavam a descentralização e gestão autônoma das companhias docas", disse Aquino. "A Lei dos Portos provoca um centralismo danoso", afirma Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP).
A elaboração do PNLP foi contratada em 2010 como um grande diagnóstico para preparar os portos nacionais com base em alguns aspectos, como modelo de gestão. O PNLP recomendou a descentralização e gestão autossuficiente das estatais portuárias, mas o governo ignorou o modelo na reforma portuária. "A lei foi na contramão dos maiores portos que o governo diz ser exemplo, os asiáticos e os europeus", disse Aquino.
O ministro dos Portos, Leônidas Cristino, disse que o governo absorveu algumas recomendações do PNLP. "O porto de Roterdã é reconhecido, mas tem sua característica totalmente diferente da nossa. Absorvemos várias orientações, outras não. Centralizamos as licitações porque em dez anos licitamos 11 terminais, que é pouco".
Para Manteli, a transferência das licitações para Brasília não deve sair na velocidade que o governo quer. "O governo quer licitar 54 terminais neste ano, o que vai ser difícil". Segundo levantamento do Valor, nos últimos 12 anos foram lançadas dez licitações. Sete terminais iniciaram operação.
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