CERIMONIAL
DE BORDO
CERIMONIAL
DE RECEPÇÃO E DESPEDIDA
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Os oficiais ao entrarem e saírem de bordo fazem jus a um cerimonial correspondente à sua patente, constando de toques de apito característicos e da continência de quem o recebe ou despede e dos presentes. Além disso, marinheiros em formatura, em número correspondente a cada cerimonial, chamados "boys", ladearão o oficial saudado, na escada de portaló e no convés. Esses cerimoniais são tradições herdadas dos dias da marinha a vela. Costumava-se, nas reuniões de Comandantes de navios de uma Força Naval em um determinado navio - quando o mar não estava muito bom - içar o visitante por uma guindola, espécie de pequena tábua suspensa pelas extremidades. A manobra era comandada pelo Mestre, ao som do apito e, para realizá-la, vários marinheiros iam para o local de embarque. Hoje é uma cortesia naval acorrer com marinheiros ao portaló (local de embarque ou saída de bordo) e saudar com toque de apito, a autoridade que chegar ou sair. Os marinheiros que acorriam para as manobras de embarque do Comandante a bordo eram chamados, na Real Marinha britânica, de "boys". Esse costume passou desde o Império, à nossa Marinha. Hoje, há um toque de apito que, em realidade, significa boys aos cabos. Tratava-se, até há pouco tempo, quando se vinha ou saía de bordo por lancha, de chamar os marinheiros para que descessem ao patim inferior da escada de portaló e aí estendessem cabos (preparados com pinhas nas duas extremidades, uma para o boy e outra para a autoridade), para que lhe servissem de apoio quando embarcavam ou desembarcavam. Ao patim inferior da escada de portaló descem dois "boys" e mais dois quando há espaço. Os demais formam no convés. Quando estiver com prancha passada para terra, somente dois devem ficar em terra; os demais formam no convés. Formar mais de dois "boys" em terra é, como se diz. na gíria marinheira, uma varada (de "vara", termo espanhol que quer dizer encalhe). Tudo isso deve-se ao fato de que o emprego dos "boys" é uma tradição na manobra de embarque e desembarque de oficiais, em navios no mar. Quando o Comandante é recebido no seu próprio navio, é o Mestre quem executa os apitos do cerimonial.
Quando o cerimonial é executado em terra, como nos estabelecimentos
ou cerimônias públicas, os "boys" são
distribuídos no número completo previsto no Cerimonial
da Marinha, em caráter simbólico.
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